(Foto: Samuel Pinheiro/Revista Cariri)















A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou 65 mortes suspeitas após o uso de medicamentos análogos de GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, no período entre dezembro de 2018 e dezembro de 2025.

Os dados, levantados pelo jornal O Globo, constam no sistema VigiMed, responsável por receber notificações de possíveis efeitos adversos relacionados a medicamentos em circulação no país.

Segundo a Anvisa, os casos são considerados suspeitos, o que significa que não há confirmação de relação direta entre os óbitos e a ação dos medicamentos.

⚖️ Relação risco-benefício permanece inalterada 
Em nota enviada ao jornal carioca, a agência informou que a relação entre risco e benefício desses medicamentos permanece inalterada, conforme as indicações aprovadas.

O levantamento inclui os seguintes princípios ativos:

  • Semaglutida (comercializados como Ozempic e Wegovy);
  • Tirzepatida (Mounjaro);
  • Liraglutida (Saxenda e Victoza);
  • Dulaglutida (Trulicity).

Ao todo, foram notificadas 2.436 reações suspeitas no período de sete anos, com diferentes níveis de gravidade. Desse total, 1.128 registros foram feitos apenas em 2025.

🤢 Efeitos mais relatados 
Entre os efeitos adversos mais relatados estão:

  • Náusea;
  • Vômitos;
  • Mal-estar;
  • Diarreia;
  • Constipação;
  • Pancreatite.

Somente para casos de inflamação no pâncreas, o VigiMed contabilizou 145 notificações. Considerando também dados de estudos clínicos — que não integram o sistema — o número de registros de pancreatite chega a 225 casos.

Entre os 65 óbitos notificados, seis já haviam sido divulgados anteriormente e podem estar associados a quadros de pancreatite.

🔎 Monitoramento e farmacovigilância 
A Anvisa informou que não realiza investigação individual de cada registro. A análise é feita de forma global, dentro do sistema de farmacovigilância, com o objetivo de verificar se há mudanças no perfil de segurança e eficácia observados nos estudos clínicos.

De acordo com a agência, o conjunto das notificações, quando analisado em bloco, pode indicar alterações no desempenho dos medicamentos após sua entrada no mercado.

O órgão também ressaltou que o monitoramento depende da qualidade das informações repassadas e que utiliza outras ferramentas para avaliar a segurança dos produtos, como estudos controlados, pesquisas independentes e análises de pós-mercado.

Por Nágela Cosme

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