Achado científico foi realizado na Bacia do Araripe e publicado em revista internacional de paleontologia (Foto: Divulgação/URCA)

Pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (URCA), vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Recursos Naturais (PPGDR), identificaram uma nova espécie de inseto fóssil que habitou a Bacia do Araripe há mais de 100 milhões de anos.

A descoberta foi publicada na última segunda-feira (4) na revista científica internacional Historical Biology, uma das mais reconhecidas na área de paleontologia.

Nova espécie foi encontrada em Nova Olinda
A nova espécie e gênero recebeu o nome de Eurydicoris tabulatus e pertence ao grupo conhecido como “percevejos escavadores”.

O fóssil foi coletado em 2018 por pesquisadores do Laboratório de Paleontologia da URCA durante escavações controladas realizadas no município de Nova Olinda, no Cariri cearense.

O exemplar estava preservado em camadas de calcário laminado da chamada “Pedra Cariri”, formação geológica famosa mundialmente pela riqueza fossilífera.

Pesquisa nasceu de dissertação de mestrado
O estudo foi desenvolvido a partir da dissertação de mestrado do pesquisador Gustavo Pinho, orientado pelo paleontólogo Álamo Saraiva, ambos integrantes do PPGDR/URCA.

(Foto: Divulgação/URCA)

A pesquisa contou com financiamento da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), destacando a importância do investimento público na formação científica no interior do Ceará.

Atualmente, Gustavo Pinho segue carreira acadêmica como doutorando na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Descoberta fortalece importância científica do Cariri
Segundo o vice-coordenador do Laboratório de Paleontologia da URCA, professor Renan Bantim, o achado reforça o reconhecimento internacional da Bacia do Araripe como um dos principais sítios paleontológicos do planeta.

“Esse achado reforça o papel da Bacia do Araripe como um dos registros mais importantes da vida na Terra e consolida o Cariri como um polo científico em crescimento nacional e internacional”, destacou o pesquisador.

Inseto tinha parentes semelhantes aos atuais
Apesar de ter vivido na época dos dinossauros, o Eurydicoris tabulatus possui características semelhantes a insetos conhecidos atualmente pela população da região, como o chamado “percevejo da goiaba”.

O pesquisador Gustavo Pinho explicou que, embora apresente aparência parecida com o barbeiro — inseto associado à transmissão da Doença de Chagas —, a espécie descoberta era inofensiva e se alimentava apenas de seiva vegetal.

“Essa comparação ajuda a sociedade a compreender que a biodiversidade que vemos hoje no Cariri possui uma história evolutiva milenar, preservada em nossas rochas”, afirmou.

Tecnologia avançada ajudou na identificação
A identificação da nova espécie só foi possível graças ao uso de tecnologias de ponta, como microtomografia computadorizada e microscopia eletrônica.

Os equipamentos permitiram observar detalhes tridimensionais extremamente pequenos e invisíveis a olho nu, contribuindo para a descrição científica do fóssil.

Fóssil permanece preservado 
Outro ponto destacado pelos pesquisadores foi a permanência do exemplar em território cearense.

Diferente de diversos fósseis da Formação Crato que foram retirados ilegalmente do Brasil ao longo das últimas décadas, o novo exemplar está oficialmente depositado no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri.

(Foto: Divulgação/URCA)

Para o professor Álamo Saraiva, coordenador do Laboratório de Paleontologia da URCA, a preservação do patrimônio fossilífero no próprio estado fortalece a ciência, a educação e o desenvolvimento regional.

“O fato de o fóssil estar acessível à comunidade científica e à população local reforça a importância do tombamento e da proteção do patrimônio brasileiro, garantindo que o legado natural gere educação, pesquisa e desenvolvimento para a nossa própria região”, ressaltou.

Pesquisa está disponível em revista internacional
O estudo completo pode ser consultado no periódico Historical Biology.

O fóssil agora integra oficialmente o acervo científico e educativo do Museu de Paleontologia da URCA, em Santana do Cariri, um dos principais centros de pesquisa paleontológica do país.

Por Fernando Átila

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