Retatrutida apresentou resultados próximos aos da cirurgia bariátrica em estudo internacional com mais de 2 mil pacientes (Foto: Reprodução/Puri Pharmacy)

Uma nova geração de medicamentos para obesidade acaba de ganhar destaque no cenário mundial da medicina metabólica. Dados divulgados nesta quinta-feira (22) pela farmacêutica Eli Lilly apontam que pacientes tratados com a retatrutida perderam, em média, até 31,9 quilos após 80 semanas de acompanhamento em um estudo internacional de fase 3.

Segundo a empresa, os participantes que utilizaram a dose mais alta do medicamento, de 12 mg, apresentaram redução média de 28,3% do peso corporal. O resultado aproximou o tratamento dos efeitos observados em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.

📉 Quase metade perdeu mais de 30% do peso
Os números divulgados pela farmacêutica chamaram atenção da comunidade científica devido ao nível de perda de peso alcançado.

De acordo com o estudo:

  • 45,3% dos participantes perderam pelo menos 30% do peso corporal;
  • 27,2% tiveram redução superior a 35%;
  • pacientes com obesidade mais grave chegaram a perder, em média, 38,5 kg após 104 semanas.

A Eli Lilly informou ainda que cerca de 65% das pessoas que receberam a dose mais alta deixaram de se enquadrar no diagnóstico de obesidade ao final do acompanhamento, passando a apresentar Índice de Massa Corporal (IMC) abaixo de 30.

🧬 Como funciona a retatrutida
A retatrutida pertence à mesma classe de medicamentos que popularizou tratamentos como Ozempic e Mounjaro, mas possui um diferencial: atua simultaneamente em três hormônios ligados ao controle do apetite e do metabolismo.

O medicamento é descrito como um agonista triplo dos receptores:

  • GIP;
  • GLP-1;
  • glucagon.

Esses hormônios estão relacionados à:

  • saciedade;
  • controle da glicose;
  • metabolismo energético;
  • redução do apetite.

Pesquisadores acreditam que essa combinação tripla pode potencializar os efeitos da perda de peso e ampliar os benefícios metabólicos.

❤️ Benefícios foram além da balança
Além da redução expressiva do peso corporal, os participantes do estudo também apresentaram melhora em diversos indicadores de saúde ligados ao risco cardiovascular.

Entre os resultados observados estão:

  • redução da circunferência abdominal;
  • melhora dos triglicerídeos;
  • controle da pressão arterial;
  • diminuição da inflamação sistêmica.

O estudo TRIUMPH-1 acompanhou mais de 2,3 mil adultos com obesidade ou sobrepeso associado a outras condições de saúde, como hipertensão e alterações metabólicas, mas sem diabetes.

⚠️ Efeitos colaterais seguiram padrão conhecido
Assim como outros medicamentos da mesma classe, os principais efeitos adversos registrados foram gastrointestinais.

Os sintomas mais relatados pelos pacientes foram:

  • náusea;
  • diarreia;
  • constipação;
  • vômitos.

As taxas de abandono do tratamento por efeitos colaterais variaram conforme a dose:

  • 4,1% no grupo de 4 mg;
  • 6,9% no grupo de 9 mg;
  • 11,3% no grupo de 12 mg.

Também foram registrados casos leves de alterações sensoriais e aumento de infecções urinárias.

🌎 Mercado bilionário acelera corrida farmacêutica
A divulgação dos resultados ocorre em meio ao crescimento global do mercado de medicamentos contra obesidade, considerado um dos setores mais promissores da indústria farmacêutica.

Nos últimos anos, tratamentos baseados em hormônios intestinais ligados à saciedade passaram a movimentar bilhões de dólares e despertaram interesse crescente de pesquisadores e investidores.

Além do emagrecimento, cientistas investigam possíveis benefícios desses medicamentos em doenças como:

  • problemas cardiovasculares;
  • apneia do sono;
  • fígado gorduroso;
  • dependência química.

A retatrutida ainda é considerada experimental e não foi aprovada para uso comercial. Atualmente, o medicamento só está disponível para participantes dos estudos clínicos conduzidos pela Eli Lilly.

A farmacêutica informou que novos resultados do programa TRIUMPH devem ser divulgados ainda este ano, incluindo análises envolvendo pacientes com diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Por Nicolas Uchoa

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