Banco Central implementa medidas mais rígidas para rastreamento, bloqueio e devolução de valores em casos de golpes, com foco em maior proteção aos usuários (Imagem gerada por IA)

As novas regras de segurança do Pix determinadas pelo Banco Central (BC) já estão em vigor desde 2 de fevereiro de 2026 e trazem mudanças significativas para reforçar a proteção contra golpes, fraudes e transferências sob coerção.

As medidas incluem rastreamento ampliado do dinheiro, bloqueio preventivo de recursos suspeitos e novas ferramentas de contestação diretamente nos aplicativos bancários.

MED 2.0 amplia rastreamento do dinheiro
A principal mudança envolve a atualização obrigatória do Mecanismo Especial de Devolução (MED), que agora passa a operar em sua versão 2.0.

Antes da atualização, quando uma vítima sofria um golpe, o sistema conseguia bloquear apenas a primeira conta que recebeu o valor.

Com a nova regra, o dinheiro poderá ser rastreado em até cinco níveis de transferências subsequentes, ampliando significativamente as chances de recuperação dos recursos.

Banco Central espera reduzir golpes
Especialistas apontam que a modernização pode reduzir em até 40% o sucesso de fraudes via Pix.

A medida busca dificultar práticas comuns de criminosos, que transferiam rapidamente valores para múltiplas contas para dificultar rastreamento.

Bloqueio cautelar passa a valer
Outra importante inovação é o chamado bloqueio cautelar.

Agora, instituições financeiras podem reter preventivamente valores recebidos por até 72 horas quando houver indícios de:

  • Fraude;
  • Irregularidade;
  • Coerção;
  • Suspeita operacional.

Durante esse período, a operação será analisada.

Reembolso mais rápido
Se a fraude for confirmada, a devolução dos valores deverá ocorrer em até 11 dias.

O objetivo é garantir que o dinheiro permaneça bloqueado enquanto as investigações ocorrem, aumentando a eficácia da restituição.

Contestação poderá ser feita diretamente no aplicativo
Todos os bancos serão obrigados a disponibilizar um botão de contestação em seus aplicativos.

Com isso, vítimas poderão solicitar o acionamento do MED sem necessidade de atendimento humano imediato.

Compartilhamento entre bancos será ampliado
As instituições financeiras também passarão a compartilhar informações sobre o caminho do dinheiro, permitindo:

  • Rastreamento mais eficiente;
  • Bloqueio ampliado;
  • Resposta mais rápida;
  • Recuperação facilitada.

Quando o MED pode ser utilizado
O Banco Central reforça que o mecanismo se aplica apenas em casos de:

  • Fraude;
  • Suspeita de fraude;
  • Erro operacional bancário.

Importante: O sistema não cobre transferências realizadas para destinatário errado por erro do próprio usuário.

Passo a passo em caso de golpe
Em caso de fraude, o procedimento recomendado é:

  • Contestar a transação imediatamente nos canais oficiais do banco;
  • Instituição financeira de origem aciona a recebedora em até 30 minutos;
  • Recursos são bloqueados;
  • Análise é realizada;
  • Fraude confirmada gera devolução;
  • Ausência de irregularidade libera o valor ao recebedor. 

Por Bárbara Antonelli

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