Pesquisa internacional acompanhou mais de 40 mil pessoas por 15 anos e identificou associação entre o consumo de ovos e menor risco da doença (Foto: Samuel Pinheiro/Revista Cariri)

Pesquisadores da Loma Linda University Health divulgaram um estudo indicando que o consumo frequente de ovos pode estar associado à redução do risco de desenvolvimento da doença de Alzheimer em pessoas com 65 anos ou mais.

Segundo os dados da pesquisa, pessoas que consomem um ovo por dia, durante pelo menos cinco dias por semana, apresentaram redução de até 27% no risco de diagnóstico da doença.

O levantamento foi publicado no periódico científico Journal of Nutrition.

Mesmo consumo moderado apresentou benefícios
Os pesquisadores observaram que até o consumo menos frequente de ovos apresentou impacto positivo na redução do risco de Alzheimer.

De acordo com Joan Sabaté, professora da Loma Linda University Health e principal investigadora do estudo:

“Comer ovos de 1 a 3 vezes por mês diminuiu o risco em 17%, enquanto comer ovos de 2 a 4 vezes por semana diminuiu o risco em 20%.”

Nutrientes presentes nos ovos ajudam saúde cerebral
Segundo os autores, os ovos possuem nutrientes considerados importantes para o funcionamento do cérebro.

Entre eles está a colina, substância relacionada à produção de acetilcolina e fosfatidilcolina, componentes fundamentais para memória e comunicação entre neurônios.

Os ovos também contêm:

  • Luteína;
  • Zeaxantina;
  • Ômega-3;
  • Fosfolipídios.

Esses nutrientes estão associados à melhora do desempenho cognitivo e à redução do estresse oxidativo.

Segundo os pesquisadores, os fosfolipídios presentes nas gemas representam cerca de 30% dos lipídios totais do alimento e possuem papel importante na função dos receptores de neurotransmissores.

Estudo acompanhou mais de 40 mil pessoas
A pesquisa foi realizada com mais de 40 mil participantes acompanhados durante 15 anos.

Os diagnósticos de Alzheimer foram confirmados por médicos a partir de registros do sistema Medicare, nos Estados Unidos.

Os cientistas avaliaram o consumo de ovos em diferentes formas de preparo:

  • Mexidos;
  • Fritos;
  • Cozidos;
  • Produtos assados;
  • Alimentos industrializados com ovos.

Especialistas reforçam importância de dieta equilibrada
Apesar dos resultados positivos, os autores destacam que o consumo moderado de ovos deve fazer parte de uma alimentação equilibrada e saudável.

A pesquisadora Jisoo Oh, professora associada de epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Universidade de Loma Linda e autora principal do estudo, ressaltou que o foco deve ser a saúde geral da população.

“Pesquisas comprovam que os ovos fazem parte de uma dieta saudável. Queremos que as pessoas se concentrem na saúde geral, além de levarem em consideração esses benefícios dos ovos”, afirmou.

Ovos também podem contribuir para controle de peso
Outro estudo recente, realizado por pesquisadores da Universidad de Castilla-La Mancha, apontou possível relação entre consumo frequente de ovos e melhor composição corporal.

A pesquisa, publicada na revista científica Clinical Nutrition, acompanhou 355 pessoas entre 18 e 30 anos.

Os participantes foram divididos conforme a frequência de consumo de ovos:

  • Menos de uma vez por semana;
  • Uma a quatro vezes por semana;
  • Cinco vezes ou mais por semana.

Os resultados mostraram que pessoas que consumiam ovos ao menos cinco vezes por semana apresentavam:

  • Menor índice de massa corporal (IMC);
  • Menor percentual de gordura corporal.

Segundo os pesquisadores, a associação estaria relacionada principalmente ao maior consumo de proteínas.

Alimento é considerado nutritivo e acessível
Os pesquisadores também destacaram que os ovos são considerados uma das fontes de proteína animal mais acessíveis e nutritivas.

Entre os nutrientes presentes estão:

  • Ferro;
  • Vitamina A;
  • Vitamina B12;
  • Folato;
  • Colina;
  • Riboflavina;
  • Zinco.

Os autores também ressaltaram que diversos estudos recentes apontam que o colesterol presente nos ovos não afeta significativamente os níveis de colesterol no sangue para a maioria das pessoas.

Pesquisadores pedem cautela
Apesar dos resultados promissores, os cientistas reforçam que os estudos possuem caráter observacional.

Isso significa que ainda são necessárias novas pesquisas para confirmar definitivamente os efeitos do consumo de ovos sobre o risco de Alzheimer e sobre a composição corporal.

Por Marcelo Lemme

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