Com aumento nos diagnósticos anuais, oncologistas alertam para fatores como envelhecimento, alimentação inadequada e sedentarismo, mas destacam altas chances de tratamento quando a doença é descoberta cedo (Foto: Freepik)
 
O câncer de próstata permanece entre os tumores mais frequentes na população masculina e vem registrando crescimento contínuo no número de diagnósticos no Brasil e no mundo.

Estimativas recentes apontam que os casos anuais passaram de cerca de 70 mil para aproximadamente 78 mil, consolidando a doença como uma das principais preocupações da saúde pública masculina.

Envelhecimento populacional e rastreamento ampliado impulsionam números
Segundo o oncologista Fernando Velasco, aumento não está relacionado a um único fator, mas a um conjunto de elementos.

“O câncer de próstata está diretamente relacionado ao envelhecimento. À medida que a população vive mais, o número absoluto de casos tende a crescer. Além disso, hoje temos maior capacidade diagnóstica, permitindo identificar tumores mais precocemente”, destaca Velasco.

O especialista ressalta que fatores como histórico familiar, predisposição genética e maior acesso a exames também influenciam diretamente no aumento das notificações.

Hábitos de vida têm peso importante
Além da idade, médicos alertam para o impacto crescente do estilo de vida moderno.

Entre os principais fatores de risco estão:

  • Sedentarismo;
  • Obesidade;
  • Alimentação rica em ultraprocessados;
  • Consumo excessivo de álcool;
  • Tabagismo.

De acordo com o oncologista Rafael Coelho, especialista em uro-oncologia, hábitos alimentares inadequados favorecem processos inflamatórios que podem contribuir para alterações celulares.

“Dietas desequilibradas, excesso de peso e baixa atividade física criam condições metabólicas desfavoráveis, que aumentam riscos para diversas doenças, inclusive o câncer de próstata”, reforça o especialista.

Alimentação e metabolismo podem influenciar progressão tumoral
Pesquisas indicam que dietas com excesso de:

  • Açúcares refinados;
  • Bebidas açucaradas;
  • Alimentos industrializados;

podem elevar níveis de glicose e insulina, favorecendo inflamação crônica.

Esse ambiente metabólico pode contribuir para crescimento e sobrevivência de células tumorais.

Histórico familiar exige atenção redobrada
Especialistas reforçam que homens com parentes de primeiro grau diagnosticados com câncer de próstata devem iniciar acompanhamento mais cedo.

Fernando Velasco alerta: 

“Se o paciente tem pai ou irmão com câncer de próstata, especialmente em idade precoce, o risco aumenta consideravelmente e o rastreamento precisa começar antes”.

Diagnóstico precoce é principal arma
Apesar do crescimento dos casos, oncologistas reforçam que o câncer de próstata possui elevadas taxas de sucesso terapêutico quando identificado em estágios iniciais.

  • Recomendações:
  • Acompanhamento médico regular;
  • Exames de PSA;
  • Toque retal;
  • Avaliação individualizada de fatores de risco.

Quebra de preconceitos ainda é desafio
A resistência masculina aos exames preventivos ainda representa uma barreira significativa para o diagnóstico precoce.

“A visita ao médico vai além do toque retal. Trata-se de uma avaliação completa da saúde do homem, incluindo fatores metabólicos, cardiovasculares e oncológicos”, ressalta Velasco.

Avanços terapêuticos ampliam perspectivas
Especialistas também destacam que os tratamentos evoluíram significativamente nos últimos anos, aumentando taxas de cura e reduzindo impactos sobre qualidade de vida.

Hoje, terapias mais modernas incluem:

  • Cirurgias mais precisas;
  • Radioterapia avançada;
  • Hormonioterapia;
  • Tratamentos personalizados.

Prevenção continua sendo prioridade
Oncologistas reforçam que mudanças simples podem ajudar na redução de riscos:

  • Alimentação equilibrada;
  • Exercícios físicos;
  • Controle de peso;
  • Redução do álcool;
  • Abandono do cigarro;
  • Consultas regulares.

Saúde masculina exige atenção contínua
O avanço dos diagnósticos reforça a importância de campanhas permanentes de conscientização, não restritas apenas ao Novembro Azul.

Com informação, prevenção e acompanhamento médico, especialistas afirmam que é possível ampliar significativamente as chances de tratamento eficaz e qualidade de vida.

Por Nágela Cosme

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