Remédio da Pfizer poderá ser usado tanto durante as crises quanto de forma preventiva, segundo especialistas (Foto: Samuel Pinheiro/Revista Cariri)
 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento Nurtec ODT, novo remédio indicado para tratamento e prevenção de crises de enxaqueca no Brasil. A autorização foi publicada na edição desta segunda-feira (25) do Diário Oficial da União.

O medicamento é produzido pela Pfizer e tem como princípio ativo o hemisulfato de rimegepanto sesqui-hidratado, molécula pertencente à classe dos antagonistas do CGRP, proteína relacionada à transmissão da dor e aos processos inflamatórios associados às crises de enxaqueca.

🧠 Como o medicamento funciona
Segundo especialistas, o remédio atua bloqueando a ação do CGRP no cérebro, ajudando a interromper ou reduzir as crises.

A neurologista Sara Casagrande, integrante da Sociedade Brasileira de Cefaleias e da International Headache Society, destacou que o principal diferencial do medicamento é reunir em um único comprimido tanto o tratamento das crises quanto a prevenção da doença.

Diferente de outros bloqueadores de CGRP já disponíveis no país — geralmente aplicados por meio de injeções — o Nurtec é administrado por via oral.

O comprimido é orodispersível, ou seja, dissolve na boca sem necessidade de água.

💡 Especialistas destacam menor risco cardiovascular
Segundo a neurologista, outra vantagem do medicamento é que ele não provoca vasoconstrição, processo de estreitamento dos vasos sanguíneos que pode limitar o uso de alguns remédios tradicionais em pacientes com risco cardiovascular.

“Ele é específico para enxaqueca. É um analgésico desenvolvido para agir diretamente nesse mecanismo inflamatório”, explicou a especialista ao g1.

📦 Medicamento terá três apresentações
A Anvisa aprovou o medicamento em apresentações com:

  • 2 comprimidos;
  • 8 comprimidos;
  • 16 comprimidos de 75 mg.

O registro do remédio terá validade até maio de 2036.

Nurtec, novo medicamento aprovado para enxaqueca (Foto: Reprodução)

🔬 Estudos apontam melhora significativa das crises
Um estudo de fase 3 publicado na revista científica The Lancet avaliou a eficácia do rimegepanto em adultos com histórico de enxaqueca.

Na pesquisa, pacientes receberam uma dose de 75 mg do medicamento durante crises moderadas ou graves.

Os resultados mostraram que:

  • 21% dos pacientes tratados ficaram sem dor após duas horas;
  • no grupo placebo, o índice foi de 11%.

O estudo também apontou melhora nos sintomas considerados mais incômodos pelos pacientes, como:

  • náusea;
  • sensibilidade à luz;
  • sensibilidade ao som.

A melhora foi observada em:

  • 35% dos pacientes tratados com o medicamento;
  • 27% dos pacientes que receberam placebo.

⚠️ Efeitos colaterais foram considerados leves
Os eventos adversos mais relatados durante os estudos foram:

  • náusea;
  • infecção urinária.

Segundo os pesquisadores, os casos ocorreram em baixa frequência e não houve registro de efeitos graves relacionados ao medicamento.

🌎 Nova geração de medicamentos contra enxaqueca
O rimegepanto faz parte da nova classe de medicamentos conhecida como “gepants”, desenvolvida especificamente para tratamento da enxaqueca.

Especialistas afirmam que outros medicamentos semelhantes também aguardam aprovação no Brasil.

Segundo Sara Casagrande, muitos pacientes brasileiros já importavam o medicamento antes da autorização da Anvisa, diante da expectativa criada pela comunidade médica nos últimos anos.

Até o momento, ainda não foram divulgadas informações sobre:

  • preço;
  • data de início da comercialização no Brasil.

Por Aline Dantas

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