Decisão da Justiça cearense permite que instituições financeiras continuem bloqueando aparelhos financiados em caso de falta de pagamento até julgamento definitivo da ação (Foto: Freepik)

O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) decidiu manter a autorização para que instituições financeiras possam bloquear o funcionamento de celulares financiados quando houver inadimplência por parte do consumidor. A decisão representa um revés para o Estado do Ceará, que havia tentado suspender a prática com base em legislação estadual aprovada neste ano.

A medida segue válida de forma provisória até o julgamento final da ação civil pública que discute a constitucionalidade da Lei Estadual nº 19.547/2025, criada para impedir que empresas realizem bloqueios de aparelhos, aplicativos ou softwares em decorrência de atraso no pagamento.

⚖️ Justiça rejeita pedido de suspensão imediata
O pedido apresentado pelo Estado buscava barrar a continuidade da prática, argumentando proteção ao consumidor. No entanto, o desembargador Washington Luís Bezerra de Araújo entendeu que não houve comprovação de risco grave que justificasse a reversão imediata da liminar anteriormente concedida.

Na decisão, foi mantido o entendimento de que as empresas podem continuar utilizando o bloqueio como mecanismo de garantia contratual até análise definitiva pelo colegiado.

📲 Modelo é defendido por setor financeiro
A Associação Brasileira da Liberdade Econômica (ABLE) celebrou a decisão, classificando-a como uma importante vitória para o setor de crédito digital e inclusão financeira.

Segundo a entidade, esse modelo de financiamento é amplamente utilizado para permitir o acesso de consumidores fora do sistema bancário tradicional à compra de smartphones parcelados.

O presidente da ABLE, Luciano Timm, destacou os impactos econômicos da decisão.

“Essa decisão reafirma que não se pode ignorar os impactos econômicos de medidas desse tipo. O celular hoje é instrumento de trabalho, renda e inclusão. Restringir seu financiamento é limitar oportunidades para milhões de brasileiros”.

🏛️ Debate entre proteção ao consumidor e liberdade econômica
No início de 2025, deputados estaduais aprovaram legislação proibindo empresas de:

  • Bloquear aparelhos celulares;
  • Suspender aplicativos;
  • Restringir softwares em caso de inadimplência.

A norma foi sancionada com o objetivo de proteger consumidores, mas passou a ser questionada judicialmente por entidades ligadas à liberdade econômica e ao mercado financeiro.

Para a ABLE, a Constituição assegura princípios como:

  • Livre iniciativa;
  • Livre concorrência;
  • Liberdade econômica;
  • Autonomia contratual.

🔍 Julgamento definitivo ainda será realizado
Apesar da manutenção provisória da prática, o mérito da ação ainda será analisado pela 5ª Vara da Fazenda Pública de Fortaleza, responsável por julgar a validade definitiva da legislação estadual.

Até lá:

  • O bloqueio de celulares financiados por falta de pagamento permanece permitido;
  • A suspensão da lei estadual continua em vigor;
  • Consumidores seguem sujeitos às regras contratuais estabelecidas pelas financeiras.

📌 Impacto direto para consumidores
A decisão pode afetar milhares de consumidores que utilizam financiamentos digitais para adquirir smartphones, especialmente em modelos voltados para públicos de menor renda e sem acesso facilitado ao crédito convencional.

O caso também amplia o debate nacional sobre:

  • Regulação do crédito digital;
  • Direitos do consumidor;
  • Limites contratuais;
  • Inclusão financeira.

Por Aline Dantas

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