Levantamento da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos aponta que apenas uma cidade do top 10 superou a média esperada (Foto: Funceme)

Apesar de liderarem o ranking de maiores volumes de chuva no Ceará em 2026, nove dos dez municípios mais chuvosos do estado ainda não atingiram a média histórica de precipitações. Os dados, divulgados pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos, revelam um cenário climático abaixo do esperado mesmo nas cidades com maiores acumulados.

Com volumes que variam entre 961 mm e 810 mm, cidades como Moraújo, Caririaçu, Crato, Granja, Missão Velha, Abaiara, Maracanaú, Várzea Alegre e Ipaumirim aparecem entre as mais chuvosas, mas ainda abaixo da média normal.

A única exceção é Baixio, no Cariri, que ocupa o segundo lugar do ranking com 916,5 mm e foi o único município a ultrapassar a média histórica até o momento.

📊 Confira o ranking das dez cidades com maiores médias de chuva em 2026:

  1. Moraújo – 961 mm
  2. Baixio – 916,5 mm
  3. Caririaçu – 889,3 mm
  4. Crato – 887,4 mm
  5. Granja – 864,3 mm
  6. Missão Velha – 840,3 mm
  7. Abaiara – 834 mm
  8. Maracanaú – 829,5 mm
  9. Várzea Alegre – 827,4 mm
  10. Ipaumirim – 810 mm

🌎 Fatores climáticos explicam cenário
De acordo com especialistas, o comportamento das chuvas em 2026 está relacionado a três fatores principais:

📅 Período ainda incompleto da quadra chuvosa (fevereiro a maio)
🌡️ Tendência de redução já esperada para o estado
🌧️ Atuação menos intensa de sistemas atmosféricos

Fenômenos como o El Niño e o Dipolo do Atlântico Tropical também influenciam diretamente o regime de chuvas. Ambos têm apresentado padrões mais secos nos últimos anos, impactando o volume de precipitações no Nordeste.

Outro elemento importante é a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal responsável pelas chuvas no Ceará durante o primeiro semestre. Em 2026, sua atuação tem sido considerada mais fraca.

Em março, tradicionalmente o mês mais chuvoso, o estado registrou média de 174,5 mm — cerca de 15,5% abaixo da média histórica de 206,5 mm.

📉 Cenário ainda pode mudar
Mesmo com os dados abaixo da média, especialistas destacam que o período chuvoso ainda não terminou. Com a continuidade da atuação da ZCIT até maio, há possibilidade de aumento nos volumes registrados nos próximos meses.

A chamada “média histórica” é calculada com base em séries de dados de aproximadamente 30 anos, servindo como referência para avaliar o comportamento climático atual.

📊 Comparativo com 2025
No ano passado, o cenário foi diferente: apenas três cidades do grupo ficaram abaixo da média — Moraújo, Granja e Ipaumirim.

Ainda assim, o Ceará fechou 2025 com déficit hídrico, registrando média anual de 795,1 mm — cerca de 1,7% abaixo do esperado. Foi o primeiro resultado negativo desde 2021.

🌧️ Moraújo lidera ranking, mas segue abaixo da média
Mesmo ocupando o topo da lista em 2026, Moraújo apresenta acumulado de 961 mm — cerca de 8,9% abaixo da média histórica local, que é de 1.054,9 mm.

A posição de destaque da cidade é explicada por fatores geográficos, como a proximidade com áreas serranas, que favorecem a formação de nuvens e chuvas intensas, especialmente no período da tarde. A atuação das brisas marítimas também contribui para o aumento da nebulosidade na região.

💧 Açude sangra mesmo com déficit
Apesar do volume abaixo da média, as chuvas foram suficientes para provocar, no último dia 2, o sangramento do açude Várzea da Volta, principal reservatório da cidade. O equipamento tem capacidade para 12,5 milhões de metros cúbicos de água e abastece a população local e municípios vizinhos.

Desde 2018, o açude tem registrado sangria anual, consolidando-se também como ponto turístico da região.

Por Bárbara Antonelli

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