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| Arrecadação com o imposto cresceu 25% e chegou a R$ 425 milhões em janeiro (Foto: Samuel Pinheiro/Revista Cariri) |
O governo federal arrecadou R$ 425 milhões com o imposto de importação sobre encomendas internacionais — conhecido como “taxa das blusinhas” — apenas em janeiro deste ano. Os dados são da Receita Federal do Brasil.
O valor representa um crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a arrecadação somou R$ 340,9 milhões.
📊 Aumento nas encomendas internacionais
De acordo com o Fisco, o volume de remessas também cresceu significativamente. Em janeiro deste ano, foram registradas 15,3 milhões de encomendas internacionais, contra 11,4 milhões no mesmo mês de 2025.
⚖️ Governo avalia possível revogação
Segundo informações do jornal O Globo, o governo federal voltou a discutir a possibilidade de revogar a chamada “taxa das blusinhas”, especialmente em um contexto eleitoral.
A articulação é liderada pela ala política, com destaque para o ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, e envolve diferentes setores do governo.
Paralelamente, a Câmara dos Deputados já analisa um projeto de lei que prevê zerar o imposto de importação para compras de até US$ 50 realizadas por meio do comércio eletrônico.
Apesar de reforçar a arrecadação federal, a medida tem gerado efeitos colaterais. Um deles é o impacto negativo nos Correios, que enfrentam uma crise financeira.
📅 Resultado acumulado
Ao longo de todo o ano de 2025, a taxa das blusinhas arrecadou um valor recorde de R$ 5 bilhões, contribuindo para o cumprimento da meta fiscal do governo.
Segundo a Receita Federal, cerca de 50 milhões de brasileiros estão regularizados por meio do Programa Remessa Conforme, que organiza a tributação das encomendas internacionais.
“Com o PRC, o governo conseguiu elevar drasticamente o registro de declarações de importação e combater a evasão fiscal, ao mesmo tempo em que acelerou o prazo de entrega dos produtos”, informou o Fisco.
Ainda segundo o órgão, o número de encomendas fora do programa caiu de 16 milhões em 2024 para 6,5 milhões em 2025.
🧾 Entenda a “taxa das blusinhas”
A cobrança foi implementada em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, estabelecendo imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 — que antes eram isentas para empresas participantes do programa.
🔎 A medida foi uma resposta a demandas da indústria nacional, especialmente após o crescimento das compras online durante a pandemia, e à diferença de carga tributária entre produtos nacionais e importados.
🏭 Defesa da indústria nacional
O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também atuava como ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, afirmou que não participa diretamente do debate atual sobre a possível revogação da taxa.
No entanto, relembrou que sempre defendeu a medida como forma de proteger a economia nacional.
“Defendi lá atrás, porque se você pegar o produto fabricado no Brasil, a roupa, ele paga entre 45% a quase 50% de tributo. Uma média de 45%. O importado está pagando bem menos do que o fabricado aqui dentro (...) Mesmo com a tributação, ainda é uma carga bem menor do que o produto brasileiro”, afirmou.
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção também defende a taxação, destacando que a medida contribuiu para a manutenção de empregos no país e para maior equilíbrio competitivo entre empresas nacionais e estrangeiras.
Por Heloísa Mendelshon

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