Mesmo com alta em relação ao fim de 2025, país mantém cenário historicamente positivo no mercado de trabalho, com redução da informalidade e avanço anual da ocupação (Foto: Samuel Pinheiro/Revista Cariri)

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 6,1% no primeiro trimestre de 2026, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

Embora o índice tenha apresentado aumento em relação ao quarto trimestre de 2025, quando foi de 5,1%, o resultado representa a menor taxa de desocupação para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 2012.

Na comparação anual, o desempenho é ainda mais expressivo: no mesmo período de 2025, o desemprego alcançava 7%, demonstrando avanço consistente no mercado de trabalho brasileiro.

Mercado de trabalho mantém trajetória positiva
O primeiro trimestre de 2026 terminou com 6,6 milhões de brasileiros em busca de emprego, número superior ao trimestre anterior, mas ainda 13% menor do que o registrado um ano antes.

Ao mesmo tempo, o país contabilizou 102 milhões de pessoas ocupadas, consolidando crescimento de 1,5 milhão de trabalhadores em relação ao primeiro trimestre de 2025.

Os números refletem um cenário de estabilidade econômica, mesmo diante de oscilações sazonais comuns no início de cada ano.

Fatores sazonais explicam alta trimestral
De acordo com o IBGE, o aumento do desemprego nos primeiros meses do ano está ligado a movimentos tradicionais da economia, como a desaceleração do comércio após o período de festas e o encerramento de contratos temporários em setores como educação e saúde pública municipal.

A coordenadora de pesquisas domiciliares do instituto, Adriana Beringuy, destacou que esse comportamento segue padrões típicos do período.

“A redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento; seja devido à tendência de recuo no comércio nesse período do ano; seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporário nas atividades de educação e saúde no setor público municipal.”

Entre os setores que registraram retração, destacam-se comércio, administração pública e serviços domésticos.

Informalidade recua e emprego formal se fortalece
Apesar da elevação da taxa de desocupação na comparação trimestral, o Brasil apresentou queda na informalidade, um dos indicadores mais relevantes para a qualidade da ocupação.

A taxa de informalidade ficou em 37,3%, abaixo dos 37,6% observados no final de 2025 e dos 38% registrados no primeiro trimestre do ano passado.

O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado chegou a 39,2 milhões, mantendo estabilidade no trimestre e crescimento de 1,3% em 12 meses.

Já o contingente de empregados sem carteira assinada apresentou retração no período, reforçando o movimento de formalização gradual do mercado.

Trabalho por conta própria continua em expansão
O total de trabalhadores autônomos permaneceu estável frente ao trimestre anterior, somando 26 milhões de pessoas, mas apresentou crescimento de 2,4% na comparação anual.

Esse comportamento reforça mudanças estruturais no mercado, com ampliação de diferentes formas de geração de renda.

Caged confirma saldo positivo na geração de vagas
Os dados da Pnad foram divulgados logo após o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontar a criação de 228 mil vagas formais em março.

No acumulado de 12 meses, o saldo é positivo em 1,2 milhão de postos com carteira assinada, fortalecendo o cenário de recuperação sustentada. 

Por Bruno Rakowsky

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