Secretário do Desenvolvimento Econômico detalha estratégia para transformar o estado no principal hub brasileiro da economia do conhecimento durante painel (Foto: vecstock/Freepik)

O Ceará reforçou nesta quarta-feira (29) sua posição como protagonista nacional na corrida pela economia digital e pela transição energética durante o painel “Data Centers na Região Nordeste”, realizado no evento InterSolar Brasil Nordeste, no Centro de Eventos do Ceará.

Representando o Governo do Ceará, o secretário do Desenvolvimento Econômico, Fábio Feijó, apresentou um amplo plano estratégico para consolidar o território cearense como o principal hub de economia do conhecimento do Brasil, ancorado em infraestrutura tecnológica, energia renovável, logística integrada e formação de capital humano.

Megaprojeto pode transformar economia cearense
O principal destaque da apresentação foi o detalhamento do investimento da Omnia Data Centers na Zona de Processamento de Exportação (ZPE Ceará), no Complexo do Pecém.

Segundo Feijó, o projeto prevê mais de R$ 200 bilhões em investimentos até 2033, distribuídos em quatro fases, valor próximo ao Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará registrado em 2023.

A primeira fase já está em andamento desde janeiro deste ano, com aporte inicial de R$ 55 bilhões, sendo R$ 12 bilhões voltados exclusivamente à infraestrutura física.

O secretário destacou ainda a dimensão estrutural do empreendimento, comparando sua escala final a seis unidades do shopping RioMar Papicu.

Ceará aposta em conectividade global
Um dos maiores diferenciais competitivos apresentados foi a posição estratégica do estado na conectividade internacional.

Atualmente, o Ceará conta com 18 cabos submarinos de dados, consolidando-se como a segunda região mais conectada do mundo, fator essencial para atrair grandes empresas de tecnologia, plataformas digitais e operadoras globais de serviços online.

Fábio Feijó, secretário do Desenvolvimento Econômico do Ceará (Foto: Divulgação/SDE)

“A nossa ambição é atrair o cliente do Data Center — as Big Techs e OTTs. Se o Porto do Pecém nos permite atrair a indústria tradicional, os Data Centers serão o nosso porto digital. O capital humano cearense é o nosso maior ativo, e a matéria-prima para a indústria do conhecimento é gente qualificada”, afirmou Fábio Feijó.

Energia renovável fortalece competitividade
Durante o painel, Feijó ressaltou o potencial energético híbrido do Ceará como elemento central para atração de Data Centers, estruturas que demandam grande estabilidade no fornecimento de energia.

O estado possui capacidade de geração estimada em 643 GW, considerando fontes solar e eólica.

Segundo o secretário, a complementaridade entre essas matrizes permite geração contínua, oferecendo segurança energética 24 horas por dia.

Logística e educação integram plano estratégico
Além da energia, o projeto estadual se apoia em outros pilares considerados fundamentais:

  • A infraestrutura logística inclui modais marítimos, aéreos e ferroviários, com destaque para o avanço da Transnordestina, prevista para o segundo semestre de 2025;
  • Na área educacional, o Ceará aposta em sua rede pública de excelência — com 87 das 100 melhores escolas públicas do país — além da implantação do novo campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que deverá fortalecer a formação de profissionais especializados em tecnologia da informação e energias renováveis.

Política de fortalecimento da economia local
Feijó também destacou uma política de valorização de fornecedores cearenses.

Dos R$ 190 milhões já contratados pela Omnia nos primeiros três meses de operação, cerca de 90% foram destinados a empresas locais, impulsionando diretamente a economia regional.

Tecnologia pode impulsionar agronegócio e exportações
Outro ponto de destaque foi o chamado “efeito TikTok”, citado pelo secretário ao explicar os impactos indiretos do investimento tecnológico sobre outros setores produtivos.

Segundo ele, clientes internacionais da Omnia poderão trazer ao Ceará aproximadamente 15 cargueiros aéreos mensais vindos da China a partir de 2025.

A estratégia do governo é utilizar o retorno dessas aeronaves para exportação de produtos cearenses, como:

  • Melão;
  • Flores;
  • Calçados;
  • Vestuário.

“Esses aviões virão lotados de equipamentos e voltariam vazios para a China se não tivéssemos inteligência de Estado. Estamos planejando usar o frete de retorno para exportar melão, vestuário, calçados e flores. Isso é transformar tecnologia em oportunidade real para o interior do Ceará”, explicou Feijó.

Ceará busca protagonismo global
Ao final de sua participação, o secretário reforçou que a ZPE Ceará oferece segurança jurídica e benefícios fiscais, tornando o estado competitivo no mercado internacional de exportação de dados e serviços digitais.

Por Aline Dantas

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