Pesquisa revela aumento na frequência e intensidade das agressões entre estudantes de 13 a 17 anos (Foto: Samuel Pinheiro/Revista Cariri)

Quatro em cada dez estudantes brasileiros de 13 a 17 anos afirmam já ter sido vítimas de bullying. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), com base em informações coletadas em 2024 em escolas de todo o país.

Segundo o levantamento, 39,8% dos adolescentes relataram já ter sofrido bullying, enquanto 27,2% disseram ter sido humilhados duas ou mais vezes.

📈 Aumento da violência repetida
Em comparação com a edição anterior da pesquisa, realizada em 2019, houve um crescimento de 0,7 ponto percentual no total de estudantes que sofreram bullying. Já os casos recorrentes aumentaram mais de 4 pontos percentuais.

De acordo com o gerente da pesquisa, Marco Andreazzi, o cenário indica agravamento das situações:

“O bullying já é caracterizado como algo persistente, intermitente… E nós observamos aqui uma tendência de aumento, o que indica que mais estudantes passaram a vivenciar situações repetidas de violência”.

“O número dos que sofrem bullying permanece praticamente igual, porém, a persistência dos episódios e a intensidade deles aumentou”, complementa.

📊 Principais números

📌 39,8% dos estudantes sofreram bullying
👧 43,3% das meninas foram vítimas
👦 37,3% dos meninos relataram agressões
😶 13,7% admitiram já ter praticado bullying
🤕 16,6% sofreram agressão física

🎯 Motivos mais frequentes
A aparência é o principal fator associado às agressões. Entre os estudantes que sofreram bullying:

💇 30,2% apontaram rosto ou cabelo como alvo
⚖️ 24,7% citaram aparência do corpo
🧑🏿 10,6% sofreram por causa de cor ou raça

Um dado que chama atenção é que 26,3% dos alunos disseram não saber o motivo das agressões.

👧 Meninas são mais afetadas
A pesquisa mostra que as meninas são as principais vítimas:

  • 43,3% delas já sofreram bullying
  • 30,1% relataram humilhações repetidas

O percentual é quase 6 pontos percentuais maior que o registrado entre os meninos.

👊 Perfil dos agressores
Entre os estudantes, 13,7% admitiram ter praticado bullying:

👦 16,5% dos meninos
👧 10,9% das meninas

Os motivos mais citados pelos agressores também envolvem aparência e raça.

No entanto, há divergências entre o que vítimas e autores relatam. Por exemplo:

  • 12,1% dos agressores disseram ter atacado por gênero ou orientação sexual
  • Apenas 6,4% das vítimas associaram o bullying a esse motivo

Situação semelhante ocorre em casos envolvendo deficiência, indicando possível subnotificação por parte das vítimas.

⚠️ Agressões físicas e virtuais
O levantamento também aponta aumento nas agressões físicas:

  • 16,6% dos estudantes já foram agredidos por colegas
  • Entre meninos, o índice chega a 18,6%

Esse número era de 14% em 2019. Já os casos recorrentes subiram de 6,5% para 9,6%.

Por outro lado, o bullying virtual apresentou leve queda:

📱 De 13,2% em 2019 para 12,7% em 2024

Ainda assim, as meninas são mais afetadas nesse ambiente:

  • 15,2% já sofreram humilhações online
  • Entre meninos, o índice é de 10,3%

🏫 Ações de prevenção
O IBGE também avaliou as iniciativas de combate ao bullying nas escolas. Apenas:

🏥 53,4% dos alunos estão em escolas que participam do Programa de Saúde nas Escolas
🛡️ 43,2% estudam em unidades com ações de prevenção ao bullying
⚠️ 37,2% estão em escolas com medidas para evitar brigas

Por Nágela Cosme

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