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| Fim da exclusividade abre caminho para novas versões, mas aprovação ainda enfrenta desafios técnicos (Foto: Divulgação) |
A patente da semaglutida, substância presente em medicamentos como o Ozempic e o Wegovy, expirou nesta sexta-feira (20). Apesar da expectativa de que versões mais baratas chegassem imediatamente ao mercado, isso ainda não aconteceu.
A previsão agora é que ao menos uma nova “caneta emagrecedora” seja aprovada até junho, após análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
📊 Processos em andamento e expectativa do mercado
Com o fim da exclusividade — que era da Novo Nordisk há 20 anos — outras farmacêuticas passaram a investir no desenvolvimento de versões próprias do medicamento.
Atualmente, há 17 pedidos nacionais em análise, mas nenhum foi aprovado até o momento.
Entre os mais avançados, estão:
🏭 EMS (versão sintética)
🧪 Ávita Care (versão sintética)
🧬 Cristália (versão biológica)
Segundo a Anvisa, essas empresas receberam exigências técnicas no início de março e têm até 120 dias para apresentar respostas. Caso os dados sejam aprovados, os produtos poderão chegar ao mercado ainda no primeiro semestre.
⚠️ Complexidade técnica atrasa liberação
Especialistas apontam que a demora está ligada à própria natureza da semaglutida, uma molécula complexa que fica entre medicamentos sintéticos e biológicos.
Isso exige uma análise mais rigorosa por parte da Anvisa, incluindo critérios que não se aplicam a medicamentos mais simples, como a dipirona.
Atualmente, o cenário regulatório é o seguinte:
📌 3 medicamentos em fase de exigências
📌 5 em análise, com decisão prevista ainda no primeiro semestre
📌 9 ainda sem avaliação iniciada
🔬 O que está sendo avaliado
A Anvisa exige uma série de testes para garantir a segurança e eficácia dos novos produtos. Entre os principais pontos estão:
🛡️ Imunogenicidade: risco de o organismo criar anticorpos contra o medicamento
⚗️ Controle de impurezas: presença de resíduos químicos ou metais
🔍 Métodos de análise: capacidade de identificar variações na molécula
Segundo o gerente-geral de medicamentos da Anvisa, Raphael Sanches, o rigor é necessário:
“Existem questões de segurança muito delicadas nesses produtos. É por isso que demora. E nós, como a Anvisa, precisamos garantir que nada passe a não ser que cumpra rigorosamente esses critérios”.
💰 Preço ainda deve demorar a cair
Apesar do fim da patente, a redução de preços não será imediata. Atualmente, uma caneta pode custar cerca de R$ 1 mil, dependendo da dose.
A queda nos valores depende da entrada efetiva de concorrentes no mercado — o que ainda não ocorreu.
Outro fator é que não haverá genéricos, já que a semaglutida é um medicamento biológico. Em vez disso, surgirão:
🔄 Biossimilares, que podem ser até 20% mais baratos
🧪 Medicamentos novos, sem desconto obrigatório
A própria Novo Nordisk não é obrigada a reduzir os preços, mas pode adotar estratégias comerciais para manter competitividade.
🏥 Possível impacto no SUS
A chegada de versões nacionais também reacende o debate sobre a inclusão da semaglutida no Sistema Único de Saúde (SUS).
Atualmente, medicamentos dessa classe já são utilizados de forma limitada na rede pública. No entanto, a incorporação mais ampla ainda não está prevista.
No ano passado, a proposta foi rejeitada devido ao alto custo, estimado em cerca de R$ 8 bilhões por ano.
O Ministério da Saúde avalia que a redução de preços, com a entrada de novos concorrentes, pode mudar esse cenário no futuro — mas, por enquanto, não há definição.
📈 Mercado em transformação
Mesmo sem impacto imediato, o fim da patente marca o início de uma nova fase para o mercado farmacêutico no Brasil.
A tendência é que, com o avanço das análises e a entrada de novos produtos, os preços sejam gradualmente pressionados para baixo, ampliando o acesso da população a esse tipo de tratamento.
Por Heloísa Mendelshon

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