Cecília Noêmi e os pais durante a cerimônia de colação de grau em Artes Visuais (Foto: Arquivo Pessoal)

A cerimônia de colação de grau realizada neste mês de março marcou um momento histórico para a educação inclusiva no Ceará. Aos 33 anos, Cecília Noêmi concluiu o curso de Artes Visuais e se tornou a primeira aluna com síndrome de Down formada pela Universidade Regional do Cariri (URCA), no Crato.

🎨 Paixão pela arte desde a adolescência
O interesse de Cecília pelo ensino superior começou ainda na adolescência, quando passou a explorar diferentes linguagens artísticas, como pintura e dança. A escolha pelo curso de Artes Visuais veio como uma continuidade natural dessa trajetória, permitindo que ela desenvolvesse sua sensibilidade com cores, formas e expressões.

Atualmente, a casa da família exibe parte das obras produzidas pela estudante durante a graduação, com pinturas inspiradas no ambiente familiar e em suas vivências.

👨‍👩‍👧 Apoio familiar foi essencial
Segundo a mãe, Socorro Lima, Cecília contou desde a infância com acompanhamento de diversos profissionais, como terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e fonoaudiólogos.

Esse suporte contribuiu para o desenvolvimento físico e intelectual da jovem, que cresceu no Crato com estímulos constantes para alcançar autonomia e realizar seus sonhos.

Ao comentar o acesso da filha à universidade por meio das cotas, Socorro destacou a importância da política de inclusão:

“Ela entrou na cota de deficiência intelectual. A gente diz: ‘ah, mas entrou numa cota’... Pior era quando não tinha a cota, que ficava discriminada, nem direito de estudar tinha. Então, hoje é diferente”.

Conquista histórica reforça a importância da inclusão no ensino superior e o papel do apoio familiar (Foto: Arquivo Pessoal)

📚 Educação inclusiva ainda é desafio no Brasil
Dados do Censo Demográfico de 2022, divulgados em 2025 pelo IBGE, mostram que:

📉 63,1% das pessoas com deficiência com 25 anos ou mais não concluíram o Ensino Fundamental
🎓 Apenas 7,4% concluíram o ensino superior
📊 Entre pessoas sem deficiência, o índice chega a 19,5%

Os números evidenciam os desafios enfrentados por essa parcela da população no acesso à educação.

🏫 Acolhimento da universidade fez a diferença
Durante toda a graduação, Cecília contou com o suporte do Núcleo de Acessibilidade da URCA (Nuarc), que acompanha estudantes com deficiência desde o início da trajetória acadêmica.

De acordo com a vice-reitora Socorro Vieira, o núcleo é formado por uma equipe multidisciplinar, com profissionais como pedagogos, educadores físicos e professores de diversas áreas:

“Nesse sentido, eles acolhem os estudantes e orientam os professores de como eles poderão aperfeiçoar as práticas e as aulas para que isso aconteça da melhor forma possível”.

A vice-reitora também ressaltou o significado da conquista:

“Independente de ter deficiência ou não, o ensino superior é para todas as pessoas. Então, cabe à nossa sociedade como um todo fazer com que essas pessoas possam ter acesso. Uma vez elas tendo acesso e acompanhamento, elas são completamente capazes de desenvolver tudo o que precisa ser feito na profissão que elas escolheram”.

🌟 Exemplo de superação e incentivo
O pai de Cecília, Jorge Carvalho, celebrou a conquista da filha e destacou a importância do apoio familiar no desenvolvimento de pessoas com deficiência intelectual.

Por Aline Dantas

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