(Foto: Agência Brasil)

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, costuma ser marcado por homenagens, mensagens nas redes sociais e campanhas publicitárias que exaltam a importância feminina na sociedade. Flores, discursos e declarações de respeito aparecem em diferentes espaços públicos e privados. No entanto, ao mesmo tempo em que se multiplicam as homenagens, os números de violência contra mulheres continuam a crescer em diversas regiões do país.

Nos últimos anos, dados de órgãos de segurança pública e de institutos de pesquisa mostram um aumento preocupante dos casos de feminicídio, crime caracterizado pelo assassinato de mulheres em razão do gênero. Em muitos desses casos, as vítimas foram mortas por parceiros ou ex-parceiros, dentro de ambientes onde deveriam estar seguras, como a própria casa.

Esse contraste expõe uma realidade incômoda. Enquanto o discurso público reforça a ideia de valorização da mulher, a prática cotidiana ainda revela situações de desrespeito, violência e desigualdade. O problema não se resume a episódios isolados, mas reflete comportamentos sociais que ainda tratam a mulher como alguém que precisa provar constantemente seu valor.

Falar em respeito à mulher significa ir além de discursos e campanhas simbólicas. O respeito envolve reconhecer direitos, garantir segurança e combater atitudes que reforçam a desigualdade de gênero. Isso inclui desde pequenas situações do dia a dia até casos extremos de violência.

O feminicídio é frequentemente o resultado final de um ciclo de agressões que começou muito antes. A violência psicológica, as ameaças, o controle e as agressões físicas costumam aparecer antes do crime mais grave. Muitas vítimas procuram ajuda, mas encontram dificuldades para romper relações abusivas ou para obter proteção efetiva.

Também existe um desafio institucional. Delegacias, sistemas de justiça e políticas públicas precisam estar preparados para responder rapidamente às denúncias. Quando medidas protetivas não são cumpridas ou quando a vítima não encontra apoio suficiente, o risco de escalada da violência aumenta.

O Dia Internacional da Mulher, portanto, deve servir também como momento de reflexão. Não se trata apenas de celebrar conquistas, mas de reconhecer que ainda existem problemas estruturais que precisam ser enfrentados. A violência contra a mulher não é um problema privado, mas uma questão social e de segurança pública.

Combater o feminicídio exige uma combinação de ações: educação para igualdade de gênero, políticas de proteção às vítimas, responsabilização dos agressores e mudança cultural. Sem essas medidas, o discurso de respeito corre o risco de se tornar apenas uma formalidade repetida todos os anos.

Mais do que homenagens, o que muitas mulheres ainda esperam é algo básico: poder viver com segurança e dignidade. Enquanto os números de feminicídio continuarem aumentando, o 8 de março continuará sendo também um lembrete de que o respeito às mulheres precisa sair do discurso e se tornar prática cotidiana.

Por Mirta Lourenço. Médica, professora, cronista e poetisa

*Este artigo é de inteira responsabilidade da autora, e não reflete, necessariamente, a opinião do Revista Cariri

Comentários

Os comentários não representam a opinião do Revista Cariri; a responsabilidade é do autor da mensagem.