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| Nova regulamentação veta práticas consideradas manipulativas em plataformas digitais e reforça regras de segurança para o público infantojuvenil (Imagem gerada por IA) |
O decreto que regulamenta o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, publicado nesta quarta-feira (18), estabelece a proibição de práticas consideradas manipulativas em ambientes virtuais voltados a crianças e adolescentes. A medida faz parte da regulamentação do ECA Digital, sancionado no ano passado, e busca garantir mais proteção no uso de aplicativos, redes sociais e serviços online.
Entre os recursos proibidos estão mecanismos amplamente utilizados por plataformas digitais, como a rolagem infinita e a reprodução automática de vídeos, conhecida como autoplay.
📲 Práticas vetadas
A chamada rolagem infinita permite que novos conteúdos sejam carregados automaticamente à medida que o usuário desliza a tela, sem a necessidade de clicar para acessar novas publicações. Esse recurso é comum em plataformas como Instagram, Facebook e TikTok, criando um fluxo contínuo de informações.
Já o autoplay, presente em aplicativos de vídeo, inicia automaticamente a reprodução de conteúdos, mantendo o usuário conectado por mais tempo.
Segundo o governo, essas funcionalidades podem estimular o uso excessivo e explorar vulnerabilidades do público mais jovem.
⚠️ O que são “designs manipulativos”
De acordo com o secretário nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Victor Fernandes, os chamados “designs manipulativos” são estratégias incorporadas ao funcionamento das plataformas para influenciar o comportamento dos usuários.
“Os chamados design manipulativos são escolhas de arquitetura de produtos digitais de aplicativos que podem explorar vulnerabilidades de crianças e adolescentes, gerando, por exemplo, sensações de angústia, de urgência.”
Entre essas práticas, o decreto também cita:
- Notificações compulsórias
- Recursos que geram sensação de urgência ou escassez
- Estímulos ao uso contínuo e prolongado
🛡️ Papel da ANPD
A regulamentação e fiscalização das novas regras caberá à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que deverá detalhar os critérios técnicos e de segurança a serem adotados pelas plataformas.
O órgão também será responsável por definir os mecanismos de verificação de idade, uma das principais exigências do ECA Digital.
🔍 Verificação etária
A lei determina que plataformas digitais adotem sistemas capazes de identificar a idade dos usuários, impedindo o acesso de menores a conteúdos inadequados.
Segundo o diretor da ANPD, Iagê Miola, a regulamentação busca garantir:
- Acurácia na verificação
- Proteção de dados pessoais
- Transparência
- Proporcionalidade no uso das informações
A agência deve divulgar, já nesta sexta-feira (20), um documento preliminar com orientações para implementação dessas medidas.
🏛️ Novas estruturas e fiscalização
Durante cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou três decretos relacionados ao ECA Digital.
Entre as novidades, está a criação do Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente, vinculado à Polícia Federal, que será responsável por:
- Centralizar denúncias
- Investigar crimes digitais
- Atuar em parceria com plataformas
📢 Avaliação da sociedade civil
A coordenadora do Instituto Alana, Maria Mello, destacou a importância da regulamentação como um marco histórico.
"Damos um passo firme em direção à implementação de uma lei histórica, inovadora e pioneira, que responde aos anseios da nossa sociedade e olha para as milhares de famílias que carregam todos os dias o peso e a angústia de tentar proteger seus filhos num ambiente desenhado para capturar a atenção, promover o vício, explorar vulnerabilidades e lucrar com a infância."
Ela também ressaltou que a legislação busca garantir direitos no ambiente digital:
"Essa é uma lei que protege crianças e adolescentes na internet, e não da internet."
🔐 Proteção no ambiente digital
Com a entrada em vigor do ECA Digital nesta semana, o Brasil passa a contar com regras mais rígidas para assegurar que os direitos de crianças e adolescentes sejam respeitados também no ambiente virtual, incluindo redes sociais, aplicativos e jogos eletrônicos.
A expectativa é que as novas medidas reduzam riscos e promovam um uso mais seguro e equilibrado da tecnologia entre o público infantojuvenil.
Por Marcelo Lemme

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