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| Após queda da patente, expectativa é que novas opções cheguem ao mercado até junho (Imagem gerada por IA) |
O Brasil tem atualmente oito pedidos de medicamentos à base de semaglutida em análise na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os processos fazem parte de uma corrida da indústria farmacêutica para lançar concorrentes ao Ozempic e ao Wegovy, após a queda da patente registrada nesta semana.
A expectativa do setor é que ao menos uma nova opção seja aprovada e chegue ao mercado até junho.
📊 Situação dos pedidos na Anvisa
Ao todo, 17 pedidos estão em tramitação na agência, seguindo ordem cronológica de protocolo — os primeiros foram apresentados em 2023.
O cenário atual é o seguinte:
📌 5 pedidos já estão em análise
📌 3 estão em fase avançada, aguardando respostas das empresas
📌 9 ainda aguardam início da avaliação
🧪 Empresas mais avançadas
As propostas mais adiantadas são das farmacêuticas:
🏭 EMS
🧪 Ávita Care
🧬 Cristália
Esses pedidos estão no chamado período de exigências, etapa em que a Anvisa analisa os estudos apresentados e solicita informações adicionais.
As empresas têm até 120 dias para responder aos questionamentos feitos em março. A velocidade da aprovação dependerá da qualidade e agilidade dessas respostas.
⚠️ Por que a análise é mais demorada
Segundo a Anvisa, a semaglutida é uma substância complexa, situada entre medicamentos sintéticos e biológicos, o que exige uma avaliação mais rigorosa.
Entre os principais pontos analisados estão:
🛡️ estudos de imunogenicidade
⚗️ controle de impurezas
🔍 validação de métodos de análise
De acordo com o gerente-geral de medicamentos da Anvisa, Raphael Sanches:
“Nós estamos falando de um produto que está na fronteira entre um sintético e um biológico. Esses dois tipos têm preocupações de eficácia, segurança e qualidade diferentes, que acabam sendo somadas nesse tipo de medicamento. É preciso uma avaliação muito mais pormenorizada. Por isso que demora”.
❓ O que muda com a queda da patente
A expiração da patente permite que outras farmacêuticas desenvolvam medicamentos com a mesma substância, antes exclusiva da Novo Nordisk por 20 anos.
No entanto:
❌ Ozempic e Wegovy continuam sendo vendidos normalmente
🤝 A empresa segue atuando no Brasil e firmando parcerias, como com a Eurofarma
💊 Não haverá medicamentos genéricos, apenas biossimilares ou novos produtos
💰 Preço deve cair?
A tendência é de redução de preços com o aumento da concorrência, mas isso não deve acontecer de imediato.
Isso ocorre porque:
📉 Ainda não há concorrentes aprovados
⚠️ Não existem genéricos para esse tipo de medicamento
🧪 Muitos pedidos são de medicamentos novos, sem obrigação de desconto
🏥 Uso no SUS ainda é incerto
A incorporação da semaglutida no Sistema Único de Saúde (SUS) não está prevista no momento.
No ano passado, a proposta foi rejeitada devido ao alto custo, estimado em cerca de R$ 8 bilhões por ano.
O Ministério da Saúde avalia que a abertura do mercado pode mudar esse cenário no futuro, mas ainda não há definição.
💉 Outras dúvidas sobre os medicamentos
📌 Haverá versão genérica?
Não. Medicamentos biológicos não possuem versões genéricas, apenas biossimilares.
📌 O preço dos atuais medicamentos vai cair?
Não há obrigação legal, mas a concorrência pode pressionar por redução ou ofertas comerciais.
📌 A receita médica continua obrigatória?
Sim. A venda segue exigindo prescrição, que permanece retida na farmácia.
📌 E a tirzepatida?
A patente da substância presente no Mounjaro deve expirar apenas em 2036.
📈 Mercado em transformação
A queda da patente marca uma nova fase no mercado de medicamentos para diabetes e obesidade no Brasil.
Com a entrada gradual de novos produtos, a expectativa é ampliar o acesso ao tratamento — ainda que de forma lenta — e aumentar a competitividade no setor farmacêutico.
Por Nágela Cosme

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