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| Tarifa é zerada para 105 produtos e smartphones voltam à alíquota anterior (Imagem gerada por IA) |
Após forte repercussão no Congresso Nacional e nas redes sociais, o governo federal decidiu revogar o aumento do imposto de importação sobre produtos adquiridos no exterior. A medida original havia sido anunciada no início de fevereiro.
A decisão foi formalizada nesta sexta-feira (27) pelo Comitê-Executivo de Gestão (Gecex), vinculado à Câmara de Comércio Exterior (Camex).
Pelo novo ato, 105 produtos terão tarifa zerada, enquanto outros 15 itens de informática permanecem com alíquota, mas nos patamares anteriores à elevação anunciada neste mês.
Entre os produtos que retornam às taxas originais estão os smartphones, cuja alíquota havia sido elevada de 16% para 20%.
📊 Impacto das tarifas
A alta anunciada anteriormente poderia representar aumento de até 7,2 pontos percentuais para determinados produtos, afetando setores produtivos e consumidores que recorrem à importação.
A maioria dos 105 itens que voltam a ter tarifa zero é composta por bens de capital e equipamentos das áreas de informática e telecomunicações.
Outros 15 produtos seguem com imposto de importação, mas em níveis reduzidos, como notebooks e acessórios.
💻 Produtos que retomam as alíquotas anteriores
Com a decisão, voltam a vigorar as seguintes tarifas:
- Notebooks – 16%
- Smartphones – 16%
- Gabinetes com fonte de alimentação – 10,80%
- Placas-mãe – 10,80%
- Indicadores ou apontadores (como mouse e trackball) – 10,80%
- Mesas digitalizadoras – 10,80%
- Unidades de memória de estado sólido (SSD) – 10,80%
O governo estimava arrecadar até R$ 14 bilhões em 2026 com a elevação das tarifas. Ainda não há cálculo oficial sobre o impacto fiscal da revogação parcial, mas a mudança pode dificultar o cumprimento da meta de superávit nas contas públicas no próximo ano.
🏭 Argumentos do governo e do setor
Ao justificar o aumento das tarifas no início do mês, agora revertido, o governo informou em nota técnica que as importações de bens de capital e de informática cresceram 33,4% desde 2022.
Segundo o documento, a participação desses produtos importados no consumo nacional superou 45% em dezembro do ano passado, alcançando níveis que, na avaliação oficial, poderiam comprometer elos da cadeia produtiva e provocar regressões tecnológicas de difícil reversão.
Representantes de importadores, por outro lado, apontaram riscos à competitividade e à inflação. O setor argumentou que a indústria nacional de bens de capital não consegue suprir integralmente a demanda interna nem acompanhar o ritmo de modernização global.
Em manifestação anterior, o Ministério da Fazenda avaliou que o impacto no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) seria indireto e limitado, uma vez que bens de capital e informática são, majoritariamente, insumos de produção, com regimes especiais que reduzem a incidência efetiva da tributação.
Por Fernando Átila

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