MEC justifica que população diminuiu e há maior eficiência escolar (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram nesta quinta-feira (26) os resultados da primeira etapa do Censo Escolar 2025.

De acordo com os dados, o Brasil registrou 46,018 milhões de estudantes matriculados em 178,76 mil escolas públicas e privadas em todas as etapas da educação básica. O número representa uma redução de 2,29% em comparação a 2024, quando foram contabilizados 47.088.922 alunos — queda equivalente a 1,082 milhão de matrículas.

📉 Queda nas matrículas e explicação demográfica
Segundo o coordenador de Estatísticas Educacionais da Diretoria de Estatísticas Educacionais do Inep (DEED), Fábio Pereira Bravin, a redução não indica retrocesso. O dado mais relevante, conforme o órgão, é que o atendimento educacional da população segue em expansão.

A principal explicação para a queda está na diminuição da população em idade escolar, especialmente nas faixas de 0 a 4 anos e de 15 a 17 anos.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentados pelo Inep, mostram que a população de 0 a 3 anos recuou 8,4% entre 2022 e 2025.

Apesar disso, a taxa de atendimento escolar nessa faixa etária subiu 4,3 pontos percentuais entre 2019 e 2024, alcançando 39,8%. A matrícula em creche, que atende crianças até 3 anos, não é obrigatória. Já entre 4 e 17 anos — faixa de escolaridade obrigatória — a frequência escolar chegou a 97,2% em 2024.

📘 Redução da distorção idade-série
Outro fator apontado pelo MEC para a redução no número de matrículas é a melhoria nos indicadores de distorção idade-série e a diminuição das taxas de repetência.

O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que a menor retenção escolar contribui para tornar o sistema mais eficiente.

“Os alunos estão repetindo menos. Antes, a retenção inchava o sistema. Passando ano a ano, à medida que eu reduzo a distorção idade-série e dou oportunidades aos alunos que estão atrasados para que concluam, eu reduzo o número de matrículas”, declarou.

Segundo o ministro, a distorção idade-série no ensino médio caiu 61% entre 2022 e 2025. Apenas no 3º ano do ensino médio, o índice passou de 27,2% para 13,99%.

“O Brasil praticamente universalizou o acesso à escola. Precisamos garantir a qualidade e a equidade”, destacou.

A superintendente do Itaú Social, Patricia Mota Guedes, avaliou que o número é o menor desde 2021, quando o país registrou 46,6 milhões de matrículas. Para ela, o dado merece atenção, mas deve ser analisado à luz das mudanças demográficas e dos avanços na frequência escolar.

👶 Educação infantil avança
O Censo Escolar aponta que, em 2025, a educação infantil alcançou o maior patamar histórico de acesso à creche para crianças de 0 a 3 anos, atingindo 41,8%. O índice se aproxima da meta de 50% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE).

Segundo o MEC, somente em 2025 foram criadas 48,5 mil novas vagas em creches e pré-escolas com apoio do governo federal. O Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) prevê investimento de R$ 7,37 bilhões para a construção de 1.670 novas unidades.

🌐 Conectividade nas escolas
O levantamento também mostra avanço na conectividade das escolas de educação básica. O percentual de instituições com acesso à internet passou de 82,8%, em 2021, para 94,5%, em 2025.

De acordo com o MEC, entre 2023 e 2025 foram investidos R$ 3 bilhões em escolas estaduais e municipais, elevando de 45% para 70% o número de unidades com conectividade adequada para fins pedagógicos.

O ministro destacou que o maior desafio para garantir conectividade plena ainda está concentrado na região Norte do país.

📑 Sobre o Censo Escolar
Realizado anualmente pelo Inep, o Censo Escolar reúne informações detalhadas sobre escolas públicas e privadas de todo o país, incluindo dados de estudantes, professores, gestores, turmas e infraestrutura.

O levantamento abrange todas as etapas e modalidades da educação básica: ensino regular, educação especial, educação de jovens e adultos (EJA) e educação profissional.

Por Pedro Villela, de Brasília

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