Empresa afirma que recurso tem efeito suspensivo automático, mas Anvisa mantém alerta para que consumidores não utilizem produtos dos lotes afetados (Foto: Samuel Pinheiro/Revista Cariri)

A fabricante Ypê informou nesta sexta-feira (8) que apresentou recurso administrativo contra a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária que determinou o recolhimento e a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de produtos da marca com numeração de lote terminada em “1”.

A medida da Anvisa atingiu detergentes lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes produzidos pela empresa na unidade da Química Amparo, localizada em Amparo, no interior de São Paulo.

Segundo a empresa, a apresentação do recurso provoca a suspensão automática dos efeitos da decisão até novo posicionamento da agência reguladora.

Empresa afirma que produção pode continuar
Em nota, a Ypê informou que a suspensão da fabricação e da comercialização dos produtos deixou de valer temporariamente após o protocolo do recurso administrativo.

A empresa afirmou que o entendimento está baseado no artigo 17 da RDC 266/2019 da própria Anvisa.

“Ainda que a interposição do recurso tenha resultado na suspensão dos efeitos da medida anterior, a Ypê reforça que a segurança dos seus consumidores é — e sempre será — sua maior prioridade”, declarou a fabricante.

Anvisa confirma efeito suspensivo
Procurada pelo Revista Cariri, a Anvisa confirmou que a legislação prevê efeito suspensivo automático para recursos administrativos apresentados nesse tipo de processo regulatório.

Apesar disso, a agência ressaltou que mantém integralmente a avaliação técnica de risco sanitário identificada durante inspeção realizada na fábrica da empresa.

“A Anvisa esclarece que não houve revisão sobre a avaliação técnica do risco sanitário diante do quadro verificado na inspeção”, informou o órgão.

Recomendação aos consumidores continua a mesma
Mesmo com a suspensão temporária das medidas administrativas, a orientação da Anvisa aos consumidores permanece inalterada.

A agência recomenda que as pessoas:

  • Não utilizem os produtos afetados;
  • Entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa;
  • Solicitem orientações sobre troca, devolução, ressarcimento ou recolhimento.

Histórico de contaminação motivou nova inspeção
Segundo a Anvisa, a fiscalização recente possui relação com um histórico de contaminação microbiológica registrado pela empresa em novembro de 2025.

Na ocasião, a fabricante realizou recolhimento voluntário de lotes de lava-roupas líquidos após identificar a bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos da linha.

De acordo com a agência, a nova inspeção ocorreu justamente para verificar se as medidas corretivas adotadas pela empresa estavam sendo efetivamente cumpridas.

“A inspeção recente foi realizada justamente em razão do histórico de contaminação microbiológica e de novos elementos que indicavam necessidade de reavaliar as condições de fabricação”, afirmou a Anvisa.

Fiscalização ocorreu entre abril e maio
A inspeção foi realizada entre os dias 27 e 30 de abril de 2026 em ação conjunta envolvendo:

  • Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP);
  • Grupo de Vigilância Sanitária de Campinas;
  • Vigilância Sanitária municipal de Amparo.

Os fiscais avaliaram principalmente as linhas de produtos líquidos fabricados na unidade paulista.

Agência aponta falhas nas Boas Práticas de Fabricação
Segundo a Anvisa, foram identificadas falhas relevantes relacionadas às chamadas Boas Práticas de Fabricação (BPF).

Entre os problemas apontados estão:

  • Fragilidades no sistema de garantia da qualidade;
  • Falhas no controle microbiológico;
  • Problemas em processos de limpeza e sanitização;
  • Deficiências nos sistemas de validação e controle de qualidade.

A agência afirma que esses procedimentos são fundamentais para evitar contaminação microbiológica nos produtos.

O que são as Boas Práticas de Fabricação?
As Boas Práticas de Fabricação são normas técnicas obrigatórias estabelecidas pela Anvisa para garantir segurança, qualidade e eficácia de produtos como medicamentos, alimentos, cosméticos e saneantes.

Essas regras atuam preventivamente em toda a cadeia produtiva para reduzir riscos sanitários ao consumidor.

Anvisa diz que decisão atual é preventiva
A agência esclareceu que a medida desta semana foi baseada nos achados da inspeção realizada em abril de 2026 e não diretamente no episódio ocorrido em novembro do ano passado.

Ainda assim, o histórico da empresa foi considerado na avaliação de risco sanitário.

Segundo a Anvisa, as medidas de recolhimento e suspensão foram classificadas como preventivas e proporcionais diante da possibilidade de contaminação microbiológica dos produtos.

Julgamento do recurso deve ocorrer nos próximos dias
O recurso apresentado pela Ypê será analisado pela Diretoria Colegiada da Anvisa nos próximos dias.

Até lá, a suspensão das medidas administrativas permanece válida, mas o alerta sanitário aos consumidores segue mantido pela agência reguladora.

LEIA A NOTA DA YPÊ NA ÍNTEGRA:

"A Ypê informa que apresentou na data de ontem um recurso perante a Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa, com o objetivo de reforçar os compromissos assumidos no seu Plano de Ação e Conformidade, e, ao mesmo tempo, apresentar esclarecimentos adicionais e subsídios técnicos relacionados à Resolução-RE n. 1.834/2026, publicada ontem.

Com este recurso, a proibição de fabricar e comercializar produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes teve seus efeitos automaticamente suspensos até novo pronunciamento da agência, tal como dispõe o art. 17 da RDC n. 266/2019/Anvisa.

Porém, ainda que a interposição do recurso tenha resultado na suspensão dos efeitos da medida anterior, a Ypê reforça que a segurança dos seus consumidores é – e sempre será - sua maior prioridade.

A Ypê, assim, reafirma seu compromisso de 75 anos com a qualidade, a segurança e a transparência, razão pela qual continuará em diálogo constante e permanente com a Anvisa e demais autoridades, sempre baseada em critérios científicos e subsídios técnicos, como forma de encontrar uma solução definitiva para a situação, no menor tempo possível."

LEIA A NOTA DA ANVISA NA ÍNTEGRA:

"Anvisa mantém avaliação do risco sanitário de produtos da Ypê

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclarece que não houve revisão sobre a avaliação técnica do risco sanitário diante do quadro verificado na inspeção da linha de fabricação dos produtos da marca, fabricados pela empresa Química Amparo (CNPJ 43.461.789/0001-90), na unidade localizada em Amparo (SP).

A Ypê entrou com recurso contra a Resolução 1.834/2026 e, de acordo com a legislação em vigor, os recursos administrativos apresentados pelas empresas têm efeito suspensivo sobre as ações determinadas pela Agência. O recurso deverá ser julgado nos próximos dias pela Diretoria Colegiada da Anvisa.

No entanto, a recomendação é que os consumidores não usem os produtos indicados e entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor — SAC da empresa Ypê para receber orientações sobre o procedimento de recolhimento, troca, devolução, ressarcimento ou demais providências cabíveis.

Suspensão e recolhimento

Durante a inspeção, foram constatados descumprimentos em etapas críticas do processo produtivo, o que inclui falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade. Os problemas identificados comprometem as Boas Práticas de Fabricação (BPF) de saneantes e indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de ocorrência de contaminação microbiológica (presença indesejada de microrganismos patogênicos)".

Por Marcelo Lemme

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