Dario Durigan afirmou que programa Remessa Conforme será mantido, mas admitiu debate interno sobre retirada do imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 (Imagem gerada por IA)

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (6) que o governo federal discute a possibilidade de extinguir a chamada “taxa das blusinhas”, cobrança de 20% de imposto de importação sobre encomendas internacionais de até US$ 50. Apesar disso, o ministro garantiu que não pretende abrir mão do programa Remessa Conforme, criado para regularizar e monitorar a entrada de produtos de baixo valor no país.

A declaração foi dada durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, coprodução da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Governo quer manter controle sobre importações
Segundo Durigan, o Remessa Conforme trouxe mais fiscalização e controle sobre produtos importados, garantindo que itens vendidos ao consumidor brasileiro atendam às exigências de segurança e qualidade.

O ministro citou como exemplo a fiscalização de brinquedos e produtos sujeitos às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“O programa Remessa Conforme é algo que eu não abro mão. Está sendo discutido [o fim da taxa das blusinhas]”, declarou.

Ainda segundo o titular da Fazenda, o debate dentro do governo busca encontrar equilíbrio entre arrecadação, proteção da indústria nacional e acesso do consumidor a produtos importados.

“Hoje a oposição tem trazido o tema de volta. Dentro do governo, há ministros que defendem que reveja [a taxa das blusinhas]. A gente tem que fazer o debate racional. Eu não tenho tabu em relação aos temas, desde que a gente preserve os avanços que a gente atingiu”, afirmou Durigan.

O que é a “taxa das blusinhas”
A cobrança de 20% sobre compras internacionais abaixo de US$ 50 entrou em vigor em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional.

A medida atingiu principalmente compras realizadas em plataformas estrangeiras de comércio eletrônico, populares entre consumidores brasileiros.

O apelido “taxa das blusinhas” surgiu nas redes sociais devido ao grande volume de compras de roupas e acessórios importados de baixo valor.

Defesa da indústria nacional
A manutenção da taxa já foi defendida pelo vice-presidente da República e então ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, sob o argumento de proteger a indústria nacional e garantir concorrência mais equilibrada com o comércio brasileiro.

Representantes dos setores produtivos, do comércio e do varejo também se posicionaram favoravelmente à permanência da cobrança.

Em manifesto conjunto, entidades afirmaram que a medida ajudou a estimular empregos, fortalecer empresas nacionais e garantir condições mais justas de competitividade.

Arrecadação bateu recorde
Além da discussão econômica, a cobrança sobre importações de baixo valor também se tornou importante fonte de arrecadação para o governo federal.

Segundo dados apresentados pelo Ministério da Fazenda, a Receita Federal arrecadou R$ 5 bilhões com o imposto em 2025, estabelecendo recorde histórico.

Nos três primeiros meses deste ano, a arrecadação cresceu 21,8%, somando R$ 1,28 bilhão.

Por Marcelo Lemme

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